Eu cresci com duas irmãs mais
velhas, e passei minha infância observando elas tomarem suas próprias decisões,
conquistarem seus sonhos e evoluírem suas vidas ano após ano. Cresci com um pai
muito carinhoso que nunca me limitou a fazer coisas consideradas de menina, ao contrário, sempre
que eu queria um carrinho ele comprava, quando eu quis aprender a empinar pipa ele
me ensinou (ou pelo menos tentou), etc. Mas a verdade é que antes de eu
entender o que é ser feminista eu já agia como uma. Sempre foi algo natural pra
mim que tanto meninos quanto meninas pudessem fazer as mesmas coisas. Mas ao
crescer e frequentar ambientes longe da minha casa percebi - e percebo
até hoje - que vivemos numa sociedade
que infelizmente insiste em diferenciar os sexos e as habilidades e estabelecer as limitações de cada um.
Como milhões de pessoas, eu assisti essa
semana ao discurso feito pela atriz e embaixadora da UN Women Emma Watson, em que
ela iniciou uma campanha para mudar a conotação errada que ser feminista tem no
mundo, como se definisse mulheres que odeiam os homens, pelo correto
significado, o qual simplesmente define um indivíduo (independente do sexo) que
apoia a igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres.
Ela achou por bem pedir formalmente o apoio
dos homens nessa iniciativa, com a qual eu concordo e muito. Mas acredito que esse
convite seja importante também para as mulheres. De uns anos pra cá,
principalmente depois que comecei a namorar e a conviver com outros casais e
entendê-los, percebi que muito do machismo que ainda existe e muito da errônea interpretação
do que vem a ser feminismo é culpa do comportamento feminino também. Infelizmente
temos enraizados costumes, atitudes e pensamentos que nos fazem agir como
submissas e vítimas em algumas situações. Assim como, por sua vez, homens tomam a posição de controladores e culpados.
Por isso acredito que a conscientização das mulheres e o maior suporte de umas às
outras é fundamental pra que o feminismo seja visto e vivido da forma correta,
promovendo finalmente a igualdade que é tão necessária.
Se vocês ainda não viram o discurso, vale a pena ver aqui e inclusive uma crítica com pontos interessantes aqui.
Madeleine Albright disse uma vez (e exageros à parte) que "existe um lugar especial no inferno para mulheres que não ajudam outras mulheres", e eu mudaria dizendo que a palavra mulheres deve ser substituída por pessoas, independente do gênero.
Jé



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